quinta-feira, março 22, 2007
Dia Mundial da Água

Neste dia tão especial é de sugerir a visita a dois sites:

Depois da visita, até porque foi ontem o Dia Mundial da Poesia, alguns poemas sobre a água, Miguel Torga, para recordar que se irá este ano comemorar o centenário deste grande poeta, seguido de poesia de António Gedeão intitulada Lição sobre a Água:


Súplica

Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.

Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada.


Mar

Mar!
E é um aberto poema que ressoa
No búzio do areal...
Ah, quem pudesse ouvi-lo sem mais versos!
Assim puro,
Assim azul,
Assim salgado...
Milagre horizontal
Universal,
Numa palavra só realizado.


Lição sobre a água

Este líquido é água.
Quando pura
é inodora, insípida e incolor.
Reduzida a vapor,
sob tensão e a alta temperatura,
move os êmbolos das máquinas que, por isso,
se denominam máquinas de vapor.

É um bom dissolvente.
Embora com excepções mas de um modo geral,
dissolve tudo bem, bases e sais.
Congela a zero graus centesimais
e ferve a 100, quando à pressão normal.

Foi neste líquido que numa noite cálida de Verão,
sob um luar gomoso e branco de camélia,
apareceu a boiar o cadáver de Ofélia
com um nenúfar na mão.
 
posted by Fernando Oliveira Martins at 12:15 da manhã | Permalink | 0 comments
quarta-feira, março 21, 2007
Dia da Árvore e da Poesia
Recuperamos, do Blog Geopedrados, uma Poesia inédita de Pedro Luna, para celebrar os Dias Mundiais da Árvore e da Poesia:


Árvore


Antes que tua mão para mim se levante
pensa bem.

Fui eu quem te deu o berço
onde tua mãe te embalou...
Fui no meu corpo que gravaste (disseste ao Mundo) o teu amor
e escondi na minha sombra os teus primeiros beijos...

Fui eu que te dei teu leito,
onde tua mãe te gerou e te pariu...
Fui eu que te aqueci nas longas noites de Inverno
e te alimentei quando tinhas fome...

Foi em mim que fizeste o teu filho,
em noite mágica de amor…
E é em mim que descansas
das agruras desta vida e te recolhes, rendido ao cansaço.

E, quando partires,
minhas tábuas serão tua cama final...

Pensa bem,
antes que tua mão me abata.
 
posted by Fernando Oliveira Martins at 2:02 da manhã | Permalink | 0 comments
sexta-feira, março 16, 2007
Pia do Urso e o seu Ecoparque Sensorial

A Pia do Urso é um pequeno lugar da freguesia de S. Mamede, concelho da Batalha, distrito de Leiria, integrado dentro do Maciço Calcário Estremenho (o MCE de Fernandes Martins) e, infelizmente, fora do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros (PNSAC).

Citando o site da Câmara Municipal da Batalha, podemos ainda dizer o seguinte: "Local carregado de história, Pia do Urso oferece aos visitantes uma paisagem natural verdadeiramente deslumbrante, onde poderá apreciar também o magnífico trabalho de restauro das habitações típicas desta região serrana, em que a pedra e a madeira se constituem como os principais materiais utilizados.

Nesta aldeia recuperada, está também instalado o primeiro ECOPARQUE SENSORIAL destinado a Invisuais de Portugal. Um conceito inovador, que pretende levar até estes cidadãos a possibilidade da apreensão do meio envolvente que os rodeia utilizando, para o efeito, os restantes sentidos, particularmente o tacto e o olfacto."


Quanto ao local, diz este site ainda:

Breves considerações históricas sobre a Pia do Urso

"Já no tempo dos Romanos, o lugar de Pia do Urso era utilizado como ponto de passagem, restando ainda na localidade de Alqueidão da Serra (Porto de Mós), um troço da via então existente e que servia os grandes povoados, nomeadamente Olissipo (Lisboa), Collipo (Batalha/Leiria) vindo a cruzar-se depois na direcção de Bracara Augusta (Braga) a Mérida, então capital da Lusitânia.

Dada a morfologia do terreno existente – assente num maciço rochoso calcário esventrado por dezenas de reentrâncias nas rochas designadas por pias – este local constituía-se como o único de Porto de Mós a Ourém com grandes quantidades de água.

Já na Idade Média, mais precisamente em 1385, a Pia do Urso foi local de passagem das tropas comandadas por D. Nuno Álvares Pereira, na caminhada efectuada de Ourém a Porto de Mós com destino a Aljubarrota onde, nesse local, decorreu uma das batalhas mais decisivas para a afirmação da independência de Portugal.

O Condestável, de acordo com os relatos de então, terá aproveitado este local paradisíaco para efectuar uma paragem e, assim, descansar. As tropas lusas terão aqui recolhido algumas pedras lascadas utilizadas na Batalha de Aljubarrota.

Cerca de 500 anos mais tarde, o Concelho da Batalha, a Freguesia de São Mamede, e em particular o lugar da Pia do Urso, foi também ponto de passagem dos militares das invasões francesas, que por entre pilhagens e massacres efectuados, dizimaram populações e património.

Dada a singularidade do espaço natural onde está inserido, o lugar de Pia do Urso carrega em si um misto de fábula e magia, prevalecendo duas lendas em redor deste lugar, que a seguir se dão conta de forma sumária.

Começando pela provável origem do nome desta localidade, dizem os mais antigos que a designação se ficou a dever ao facto de um urso (provavelmente um Urso Ibérico) aproveitar uma das pias existentes no maciço rochoso e aí beber água com frequência.

A pia em questão, devidamente assinalada no local, apresenta um declive natural que facilitaria a este e a outros animais a ingestão do líquido, numa zona, recorde-se, densamente arborizada.

Outra lenda em redor da Pia do Urso aborda a existência, há alguns anos, de uma oliveira diferente das demais, em virtude desta apresentar a rama preta e ao longo da sua vida nunca ter produzido azeitona. A explicação para estes factos bizarros, apontavam os mais idosos, relacionava-se com a hipótese de, aquando da permanência naquele local dos exércitos franceses, a oliveira ter servido de esconderijo de armas, munições e pólvora."

Da visita que fiz ao local, ressalvo o seguinte:
  1. É um local excelente para ir com crianças ou invisuais, em grupo familiar ou, simplesmente, para fazer um pic-nic...
  2. As reconstruções das casas tradicionais são interessantes (pese o pormenor de algumas terem umas chaminés que fazem lembrar as das casas algarvias, mas isto deve ser impressão minha...).
  3. Há ainda pouca informação sobre aluguer de casas e falta ainda animação comercial ao lugar (neste momento há só um café...) e o posto de informações ainda funciona intermitentemente...
  4. O Percurso precisa de algumas afinações e de muita manutenção (há muita coisa que está estragada ou em vias de...).
  5. As placas de entrada (gigantescas...) estão paralelas ao eixo da estrada entre S. Mamede e Mira d'Aire, pelo que se pode passar sem as ver...
Poderão ver mais Fotografias e Vídeo, em diversos posts, que fizemos na nossa ida a este magnífico local, em 10.03.2007 (sábado), no Blog GeoLeiria...

 
posted by Fernando Oliveira Martins at 12:20 da tarde | Permalink | 0 comments
segunda-feira, março 05, 2007
O Eclipse em Leiria
Tendo a organização chegado entre as 20.15 e 21.00 horas, após alguns contratempos lá começou a sessão de observação. Com 3 telescópios, 1 binóculos em tripé e vários binóculos, foi-se vendo o desenrolar do eclipse com bastante adesão de público (que estimo, na totalidade, entre 300 e 400 pessoas...!). Mas penso que o facto de muitas Escolas (e professores) terem divulgado a actividade, bem como ter aparecido a notícia em todos os jornais locais de Leiria deu um bom contributo para tamanha afluência.

Alguns vieram só ao princípio, outros apenas ao final, mas houve bastantes resistentes que o levaram do princípio ao fim a observação. Com a colaboração dos Escuteiros dos Agrupamento da Amélia Moura (do CNE) houve comida e bebida (isto para além dos raros que cumpriram com o estipulado e trouxeram comida/bebida para a troca...). Para além da observação, houve a possibilidade de as pessoas presentes irem ver os trabalhos de alunos na Sala da Física e ainda convívio (com jogos) na sala dos Alunos. Com a ajuda do Pedro Guerreiro, da Informática da Escola Rodrigues Lobo, houve inclusive Internet, o que permitiu actualizar este Blog e publicar as primeiras fotos ainda durante o Eclipse...!

De salientar ainda a primeira luz do Telescópio newtoniano do Clube de Astronomia da Escola Rodrigues Lobo (que chegou esta mesma semana, tendo ainda um belíssimo Dobson para estrear...!) e a folha de apoio distribuída (e quem não teve acesso a ela pode fazer o download no final deste texto).

Em meu nome (e em nome da Organização, que inclui o João Nelson Ferreira, Paulo Heleno, Fernando Cadima, Amélia Moura, Paulo Costa, Sandra Paula, blogues AstroLeiria e Rastos de Luz, Agrupamento de Escuteiros dos Parceiros, Núcleo de Astronomia Galileu Galilei da Escola Correia Mateus, Clube de Ambiente da Escola Secundária da Batalha e Clubes de Astronomia da Escolas Rodrigues Lobo e D. Dinis e do Conciliar de Maria Imaculada - Cruz d'Areia) agradecemos a participação de todos - em particular aos alunos do 8º E e seus familiares...!

Download do documento de apoio - aqui.

Mais fotos e material - consultar o Blogue AstroLeiria.

Agora algumas fotos:













Fotos digitais de Fernando Martins - directamente sobre a ocular do newtoniano (última com filtro amarelo)
 
posted by Fernando Oliveira Martins at 11:31 da manhã | Permalink | 0 comments
sexta-feira, março 02, 2007
Eclipse Total da Lua em Leiria - II

Pois é, faltam 24 horas para o evento. Assim, a partir das 20.15 horas a organização começará a preparar o material - haverá diversos Telescópios e Binóculos disponíveis, bem como uma Banca de Comida, Folhetos, dois portáteis com Internet e um Videoprojector. Se o mau tempo impedir a observação directa do Eclipse recorreremos à Internet para ver on-line o mesmo.

Assim sugere-se a visita aos seguintes sites:
PS - Observação do Eclipse entre as 21.30 e 01.30 na Escola Secundária Francisco Rodrigues Lobo, em Leiria.
 
posted by Fernando Oliveira Martins at 7:17 da tarde | Permalink | 0 comments